quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A Queixa Escolar e o Fazer/Saber do Psicólogo: A História de um caso

Beatriz Beluzzo Brando Cunha


Muitas coisas modificaram a visão do psicólogo a respeito das queixas escolares a partir do momento em que se deixou de ouvi-las a partir da literatura especializada, passando para ouvi-las diretamente dos professores e dos alunos. A partir de 1970, os estudos sociológicos alarmaram os psicólogos de maneira que compreendessem a ação da psicologia como um serviço aliado da escola, lugar este, onde encontrou conflitos de diversas ordens levando-os a um sentimento de impotência frente ás queixas apresentado. Segundo Beatriz Belluzzo, foi na psicologia institucional que foi buscar recursos teóricos para a prática a que se propunha. As distinções que Bleger fez sobre organização, grupo, e instituições também foram úteis para compreender a escola. Logo, o alvo era compreender como o problema era construído ou instituído na subjetividade dos grupos que compunham a organização escolar. Como recursos foram usados três vertentes teóricas, sendo a primeira referente à abordagem psicanalítica de Winnicott, que localiza a capacidade individual de viver criativamente, pois criar, ser criativo está relacionado ao valor da vida. Assim como o “Brincar” e outras atividades de cunho cultural estão na zona de intersecção entre o interno e o externo. A segunda vertente teórica parte de origem blegeriana, embora se refira mais a trabalhos de psicopedagogia, comportando dois momentos, a apropriação do mundo externo e a transformação dos esquemas de conduta do sujeito em função das exigências do objeto (assimilação no primeiro caso e acomodação no segundo). A terceira vertente se refere à psicologia construtivista de Piaget, dando especial atenção aos achados de sua discípula Emília Ferreiro. Logo ficaram estabelecidos, como princípios básicos para o trabalho escolar, os seguintes pontos:
·         Considerar os agentes da educação – professores, aluno e pais – como sujeitos participantes de todo o processo educacional.
·         Observar as condições sociais sem perder de vista o objeto de trabalho do psicólogo: o sujeito psicológico.
·         Definir uma configuração do espaço psicológico na instituição escolar.
·         Localizar e combater estereótipos que impeçam o surgimento de relações sociais criativas e estruturantes.
Foram definidas metas a serem atingidas no decorrer do trabalho, ouvindo a demanda e desenvolvendo uma prática a partir dela. Os grupos ocorriam na escola com duração de uma hora e meia com as mães, assim como com as crianças em horários diferentes, e com as professoras em reuniões semanais, em horários denominados pela escola de HTP (hora do horário pedagógico). Nas amostras colhidas junto aos professores foi observada uma oscilação de posturas, onde ora assumiam uma atitude de implicação, ora traziam casos de alunos como encomenda para a psicóloga resolver. As dificuldades de aprendizagem também consistiram em motivo de inquietação dos professores. Nestes encontros delineou-se um caminho para a psicologia, onde se busca um alargamento de fronteiras, uma expansão para poder apreender o outro e poder dar respostas mais significativas.

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